domingo, 3 de junho de 2007

O mais justo dos juízes

O treinador reuniu a turma no vestiário e escalou doze: onze e o goleiro. O capitão do time estranhou, avisando que havia gente demais.
O técnico, porém, sustentou a escalação:
– "Isso é problema do juiz, o teu é jogar e tentar ganhar a partida."

E lá se foi o time para o campo.
Cinco minutos de jogo, a torcida começou a gritar, alertando o árbitro: “O Pipira tem doze!”
O árbitro interrompeu a partida, contou os times e deu uma bronca no capitão que, por sua vez, passou a bola ao treinador:
– "Fala co’ home ali."

O juiz foi ao técnico e mandou retirar de campo o excedente. Uma confusão tremenda na pista. O técnico chamou o árbitro para uma conversa em particular. Saíram os dois na direção do centro do campo. A torcida, aos berros, descompunha todo mundo pelo atraso.
Os dois isolados no grande círculo, o técnico pôs a mão no ombro do juiz e entrou nas explicações:
– "O problema é o seguinte: eu sou um homem de cinqüenta anos, estreando na profissão. E sou novo aqui na cidade. Acontece que hoje de manhã, o presidente do clube me deu um bocado de nome, pra pôr no time: dois são protegidos do delegado, quatro do comandante do destacamento, o goleiro é filho do gerente do banco, o presidente diz que os dois pontas-de-lança têm que jogar de qualquer maneira. Eu fui escalando, escalando...."

– "É, mas passou da conta" – diz o árbitro, inflexível.

– "E eu não sei que passou? Ia ser mais. Por sorte, o sobrinho do prefeito amanheceu com o pé inchado e pediu ao tio pra não jogar. Senão, entravam treze."

– "Bom, mas pra começar o jogo, o senhor tem que tirar logo um... "– diz o juiz.
– "Eu??? tirar um??? Deus me livre!! Tira o senhor. Por mim, o time joga com doze. Se o senhor está dificultando, vai lá o senhor e tira um, escolhe lá um. O mais que eu posso fazer é colaborar com o senhor. Por exemplo, não tire nem o cinco nem o seis que dá bolo com o chefe de polícia. E o pior é que agora eu já confundi tudo: não sei mais se o oito é gente do comandante do destacamento ou se é o filho do gerente do banco..."

O árbitro encarou o técnico do Pipira, enfiou o apito no bolso e saiu como uma fera:
– "Doze contra onze, comigo, não. Doze contra onze, só se me expulsarem da Liga."

Parou diante do banco dos reservas do Serrinha F. C. e dirigiu-se ao técnico, sentencioso como nunca:
– "Carvalho, bota mais um dos teus homens em campo, Carvalho. Eu tenho horror a injustiça!"

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Essa história foi contada pela lenda viva do jornalismo esportivo chamado Armando Nogueira.

Valeu galera!

Fui!

3 comentários:

Arthur disse...

Engraçado que eu assisti a um filme neste final de semana que fala quase da mesma coisa. Já assistiu "O Informante"? Que fala da questão da máfia das empresas do tabaco nos EUA? É mais ou menos isso, ninguém quer encarar pessoas consideradas de "poder".

Incrível.

Pablo Almeida disse...

Sensacional...huahahuahua...pra tu ver como juiz é tudo cagão!

Anônimo disse...

fala J ricardo ...aqui é o airbag la da comfogo